quinta-feira, abril 17, 2008

Cadeia de União

Todo Ritual e Cerimonial serve tanto aos homens como aos planos astral e mental, já que estabelece entre eles um canal de forças.

Os Rituais e Cerimoniais são úteis para colocarem os planos astral e mental em contato com o nosso plano físico. Por mais simples que sejam, despertam vibrações no plano físico, repercutindo nos mundos astral e mental, atraindo a atenção dos planos invisíveis elevados, os quais canalizam e projetam vibrações como resposta, derramando forças espirituais em nosso meio. Desempenham papeis muito importantes na criação e manutenção de vibrações nos planos superiores, formando o que chamamos “EGRÉGORA”.

Ao formarmos a Cadeia de União no encerramento dos trabalhos com as mãos entrelaçadas em forma de círculo, despedindo-nos e invocando sobre nós os benefícios do G.·.A.·.D.·.U.·., cumprimos um Cerimonial de nosso Ritual e, como tentarei demonstrar, estabelecemos entre os planos físico e espiritual uma conexão poderosa.

A Cadeia de União, como o termo já sugere, é uma corrente formada por elos que são os IIr.·. e nos prepara para receber a Pal.·. Sem.·., cumprindo assim o Ato Administrativo previsto no Ritual do Grau de Ap.·. do R.·.E.·.A.·.A.·.. Alguns autores são de opinião que esse é o único motivo para a formação da Cadeia, que tem como objetivo dar regularidade ao Maçom, permitindo-o frequentar as sessões, e deve ser fornecida por um poder central. Se o conceito fosse apenas esse, não precisaríamos nos estender muito mais. Porém, orientando nossa pesquisa para o amplo entendimento do tema encontramos na própria formação física da Cadeia de União o primeiro sinal de sua profundidade. O corpo humano registra através de nosso sistema nervoso tudo o que recebemos do mundo exterior, e ao formarmos a Cadeia nossos sentidos são alterados pelos pontos de toque físicos nas mãos e nos pés, e pelo som produzido pela palavra que se materializa, afetando também nosso cérebro. Todas essas sensações são de permuta, já que o corpo de cada participante, cada um a sua maneira, recebe e doa essa energia a ponto de haver uma perfeita união fraterna.

O som gerado pela Pal.·. Sem.·. propicia aos participantes a meditação, mas não aquela meditação solitária, e sim uma unificação mental dos IIr.·. que participam da Cadeia, gerando um estado de consciência superior, mesmo que por alguns instantes, mas o suficiente para despertar a paz interior e estimular nossos mais nobres valores que serão estendidos ao mundo profano, produzindo seus efeitos positivos. Alcançamos tal estado durante a Cadeia de União graças aos pontos de energia em nosso corpo conhecidos como Chakras. Na transmissão da Pal.·. Sem.·. ativamos os chakras Laríngeo emitindo energia sonora e o Frontal, emitindo energia mental, já que a fala é produto do pensamento. Existem outros pontos de energia que ativamos dependendo de nosso estado emocional: Se estivermos emotivos, ativamos o chakra umbilical e se o amor nos move ativamos também o chakra coronário (acima da cabeça). Por isso a postura do Maçom ao participar da Cadeia de União é de fundamental importância para que atinja a concentração necessária em sua realização.

Ainda concentrando nossa atenção nos efeitos causados em nossos sentidos vindos do campo físico quando da realização da Cadeia de União, passamos ao segundo ponto de toque, que são as mãos. Os braços cruzados, estando o esquerdo por baixo do direito configuram uma postura para a fluidez de nossa energia magnética, onde a mão esquerda atua como receptora e a mão direita como doadora, ativando os chakras cardíaco e do plexo solar (abaixo do coração), unificando todos numa única concentração de vontade. No apertar de mãos, onde se unem os elos da corrente, ocorre a distribuição de energia, onde sua mão direita irá apertar a mão do Ir.·. colocado à esquerda e vice-versa. “Que a mão direita não saiba o que a esquerda faz”. Não será possível medir a quantidade de energia transmitida e recebida dos IIr.·. que nos cercam.

Os pés constituem o terceiro ponto de toque na formação da Cadeia de União. Estando em esquadro, com os calcanhares unidos e tocando as pontas dos pés dos IIr.·. que estão dos lados, é o ponto de apoio onde se formará uma corrente de energia magnética que é receptora da vontade que deseja se manifestar no mundo material e emana sua influência benéfica não só aos participantes do Rito, como também é projetada a todo o mundo.

A forma circular na formação da Cadeia de União representa o Universo formado por homens unidos numa grande corrente fraternal. Não só a terra como todo o Cosmos, obedecendo às leis naturais, movem-se harmonicamente em circulo. É formada no Centro do Templo, composta de elos humanos exatamente iguais, representando os espíritos maçônicos unidos pela solidariedade de idéias e pela comunhão de sentimentos e aspirações. Não existe um elo maior que outro. Sendo formada em círculo, criamos um campo interno, e neste, um ponto central. É aí que se forma um “plano” ou “estado de consciência”, que é formado pelas forças emanadas dos que compõem a Cadeia. As forças concentradas no centro da superfície permanecem estáveis e não se dispersam para baixo, porque os pés dos IIr.·. unem-se uns aos outros; nem no centro, porque as mãos se apertam e tampouco para o alto, porque as mentes se unem. Esse “Campo de Força” inclui também a presença e a força da “Egrégora”, já que a loja continua reunida. Essa força concentrada é distribuída segundo o objetivo da Cadeia.

É exatamente nesse objetivo da Cadeia de União que residem algumas interpretações antagônicas. Como sabemos, Castellani é um ferrenho defensor de que a Cadeia de União serve única e exclusivamente para transmitir a Pal.·. Sem.·. e ponto final. Como ficou demonstrado, acreditamos que qualquer Ir.·. pode solicitar ao seu Ven.·. a formação da Cadeia de União, não porque tenha faltado à Sessão em que o Ritual foi realizado, mas para um determinado fim.

O objetivo mais comum seria a formação da Cadeia de União invocando as Forças Superiores para várias finalidades: emitir forças mentais em benefício de outros; a obtenção de benefícios para nós mesmos; a união dos IIr.·. que a formam e a melhoria da saúde, a de quem solicita a Cadeia de União ou de algum de seus familiares. As motivações podem ser as mais variadas e, a meu ver, não é necessário que se revele o motivo. Quem pediu pela formação da Cadeia saberá, e poderá contar com as forças e fluídos de seus IIr.·.. Se a Cadeia de União é realizada apenas semestralmente, essa fonte de forças extraordinária fica adormecida.

Concluindo, sem contudo esgotar as possibilidades de interpretações simbólicas, destacamos a importância do Ven.·. em manter os elos sempre perfeitos e em fraterna união, já que constituem um todo, e se houver um elo frágil, porá em risco toda a corrente. A Cadeia de União simboliza a fraternidade que se estende do Oriente ao Ocidente e de Norte a Sul do Templo, orientada pelo G.·.A.·.D.·.U.·..

Bibliografia:
Boucher, Jules - A simbólica maçônica - Editora Pensamento
Camino, Rizzardo da - Introdução à Maçonaria, Vol. 3 - Editora Aurora
A Cadeia de União - Editora Aprendiz
Castellani, José - Grande Oriente do Brasil
Ritual 1º Grau - Aprendiz - Gráfica e Editora Grande Oriente do Brasil
Instruções Grau I

Ir\ Vagner Fernandes
ARLS Fênix de Brasília Nº 1959
Or\ Brasilia DF
16/09/2002

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